Governo diz que 100% do milho e 95% da soja do PR são transgênicos

Jonas Oliveira/Agência Estadual de Notícias

A Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab) não tem qualquer controle de como e onde se plantam sementes geneticamente modificadas no Paraná.

Apesar disso, Francisco Carlos Simioni, chefe do Departamento de Economia Rural da Seab, que assina resposta a pedido de informação elaborado pelo LJOR, estima que todo o milho cultivado atualmente no Paraná é transgênico. E que 95% da soja que os agricultores paranaenses plantam também é geneticamente modificada.

Milho e soja são, segundo o Ipardes, segundo e terceiro principais produtos agrícolas do Paraná, em volume cultivado. O estado respondia, em 2012, por quase um quarto do milho plantado no Brasil, e por 16,61% de toda a soja do país.

O pedido

Perguntamos à Seab qual a área plantada, o percentual em relação ao total, o crescimento nos últimos dez anos e quais as variedades transgênicas mais plantadas no Paraná – com especificação por planta e, sempre que possível, fabricante das sementes.

Também inquirimos de que forma o estado fiscaliza o cultivo de transgênicos, de forma a evitar a contaminação de áreas de plantio convencional.

A resposta assinada por Simioni informa que o Paraná plantou 4,9 milhões de hectares de soja na última safra – 95% disso com transgênicos. Já as duas últimas safras de milho ocuparam áreas 490,5 mil hectares e 1,87 milhão de hectares – virtualmente tudo a partir de sementes geneticamente modificadas..

“A Seab não faz controle da área cultivada com transgênicos no Estado”, e por isso “não temos um histórico da evolução do plantio”, informa a Seab. A justificativa é que “o mercado não faz muita distinção e o plus (sic) pago para soja convencional é muito pequeno”.

Assim, “o sistema de armazenagem no Paraná e no Brasil é único para granéis, ou seja, para se conseguir separar OGM (transgênicos) e convencional seria preciso adptar os armazéns para segregar os produtos e evitar a contaminação”.

Como a pergunta que fizemos dizia respeito à contaminação nas lavouras, e não no produto colhido, resolvemos apresentar um novo pedido de informações, desta vez ao Ministério da Agricultura. Incluímos, neste pedido, um item adicional – quais são todas as sementes transgênicas cujo plantio é autorizado no Brasil.

Glifosato

Algumas são geneticamente modificadas para aguentarem doses maiores de herbicidas à base de glifosato do que as plantas convencionais. O Ministério Público Federal pediu, em abril, que a Anvisa determinasse o banimento do glifosato no país – com urgência. A Organização Mundial as Saúde está convencida de que glifosato causa câncer.

Como a Seab não faz o controle dos organismos geneticamente modificados plantados no Paraná, é impossível dizer qual o percentual de sementes mais resistentes a glifosato cultivadas no estado.

Na Bandnews

A resposta da Seab sobre transgênicos foi tema da coluna do LJOR na Bandnews FM nesta sexta-feira (15/4). Ouça.

Leia a seguir a íntegra da resposta da Seab ao LJOR.

“A SEAB não faz controle da área cultivada com transgênicos no Estado.

“Estimamos contudo, que cerca de 95% da área de soja seja feita com cultivares transgênicos. Para milho a situação não e diferente, podendo­se considerar que praticamente toda área é plantada com cultivares transgênicos.

“Não temos um histórico da evolução do plantio pois como falei, não fazemos a segregação entre plantios OGM e Convencionais. Até o mercado, hoje, não faz muita distinção e o plus pago para soja convencional é muito pequeno.

“Por fim, o sistema de armazenagem no Paraná e no Brasil é único para granéis, ou seja, para se conseguir separar OGM e Convencional precisaríamos adaptar os armazéns para segregar os produtos e evitar contaminação.

“A área plantada com soja na última safra foi de 4,9 milhões de hectares e a de milho na primeira safra 490,5 mil/hectares. Já o plantio de milho na segunda safra é de 1,87 milhão/ha. Essas áreas estimamos que sejam transgênicas em quase a totalidade.”

Att,

Francisco Carlos Simioni
Chefe do Depto. de Economia Rural

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