Poucas mulheres, poucos negros e jovens: a “nova” Assembleia Legislativa do Paraná

Nani Gois/Alep

Por Plínio Lopes e Arthur Schiochet – Acostumem-se com homens brancos, casados pelo menos uma vez e com 52 anos de idade na média. Pois é disso que se trata a composição da “nova” Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), que nesta segunda-feira (4) retomas as sessões plenárias – 68% dos parlamentares encarregados de votar políticas públicas e fiscalizar o governo estadual encaixam nessa descrição.

Eles são 37 dos 54 deputados eleitos ano passado, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Apenas quatro mulheres foram eleitas, fazendo com que o Paraná seja o quarto estado da federação com a menor proporção de mulheres eleitas – atrás de Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS) e Goiás (GO). Nenhuma deputada foi eleita em MT e em MS e GO, também foram apenas quatro.

A pouca representação feminina na Alep, num estado como o Paraná, em que as mulheres são metade da população (51%), chama a atenção. Para cada 1 deputadas eleita, 12 homens saíram vitoriosos das urnas. Maria Victoria (PP) conseguiu a reeleição; se juntaram a ela Cristina Silvestri (PPS), suplente em 2014 e que assumiu o cargo em 2015, e as deputadas Luciana Rafagnin (PT), que já exerceu mandato na Alep, e Mabel Canto (PSC).

Além de poucas mulheres, há poucos negros também. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostra que, pelo menos, 28,5% da população paranaense se declara preta ou parda – quase o triplo dos  11% de deputados que se declaram desta maneira. Optou-se, também segundo o IBGE, por considerar a população negra como a soma das autodeclarações de pretos e pardos.

Esses números fazem do Paraná o terceiro estado brasileiro com menos negros na Assembleia Legislativa – apenas 6 dos 54. Apenas Santa Catarina e Rio Grande do Sul têm números piores. Os deputados que se autodeclaram pretos ou pardos são Evandro Araújo (PSC), Soldado Adriano (PV), Soldado Fruet (PROS), Tiago Amaral (PSB), Galo (Pode) e Do Carmo (PSL).

Poucas mulheres, negros e jovens. Na média, a próxima legislatura tem 49 anos de idade. Tercilio Turini (PPS) ocupa o posto de parlamentar mais idoso com 74 anos. Morador de Londrina, foi vereador da cidade quatro vezes e vai cumprir o terceiro mandato na Assembléia – já foi suplente em 2010 e eleito em 2014. Cristina Silvestri (PPS), com 61 anos, era suplente no ciclo anterior, assumindo o cargo em 2015 com a ida do deputado Douglas Fabrício (PPS) para a Secretaria do Esporte e do Turismo.

Do outro lado, o deputado mais novo é Boca Aberta Jr. (PRTB), com 23 anos, que é tão jovem que não poderia ser eleito em 2014, pois tinha apenas 19 anos, quando a idade mínima para ser eleito deputado é de 21 anos. Ele é filho do ex-vereador de Londrina, Boca Aberta (Pros), que se elegeu como deputado federal depois de ter o mandato de vereador cassado pela Câmara Municipal de Londrina.

A deputada mais nova é Maria Victoria (PP) com 27 anos. Filha de Ricardo Barros, ex-ministro da Saúde do governo Temer, e de Cida Borghetti, ex-governadora do estado, ela foi eleita deputada estadual em 2014 e também concorreu à Prefeitura de Curitiba em 2016. A média de idade reflete no estado civil dos deputados, predominantemente de casados – 40 dos 54. Há 7 deputados que se declaram solteiros e outros 7 divorciados ou separados.

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