Tropas, blindados e armamento: 3 razões para não ter golpe militar

Será que tem um militar escondido debaixo da sua cama? Provavelmente não, apesar de toda a agitação política causada por candidatos espertalhões, que usam as Forças Armadas como um bode na sala, distorcendo os valores dessas instituições na expectativa de amealhar votos. Mobilizar pelo medo é bem mais fácil que pela tolerância às diferenças.

Certo é que vai aumentar a representação de militares da reserva no Congresso e na assembleias estaduais, dada a maré conservadora pela qual passa o Brasil; outra bem diferente é um golpe militar, baseado na repressão violenta, sem que haja resistência civil. Ou você discorda? De um jeito ou do outro, é hora de juntarmos alguns dados sobre os militares, se é verdade que informação é poder. Mas relevem o humor, que este é um #LivreLAB&Solto.

1 – A proporção no Brasil é de 1 militar para cada 386 cidadãos civis
Faça as contas, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) vivem no país 208.698.222 pessoas. E a cada 21 segundos esse número cresce. Por outro lado, dados de 2016, fornecidos pelas Forças Armadas ao Congresso durante a elaboração das leis orçamentárias, mostram que, somando todos os militares, da ativa e na reserva, temos 540.088 indivíduos. O resto é matemática: a proporção no Brasil é de 1 militar para cada 386 cidadãos civis.

Se tirarmos os militares da reserva, somando apenas os 232.870 membros ativos do Exército, os 81.793 da Marinha e os 70.732 da Força Aérea, essa proporção muda para 1 militar a cada 541 civis. Não é um número expressivo a ponto de dar medo. O PCdoB tem mais militantes (394 mil). O PT tem o triplo de filiados que todos os militares somados, com 1,585 milhão de pessoas andando pelo Brasil ostentando uma carteirinha com a estrela vermelha.

Em outro cenário hipotético, também trabalhando a oposição criada pelos oportunistas, de sindicatos versus militares, reflita sobre haver 34 vezes mais pessoas vinculadas a organizações sindicais que militares. E isso apesar do baixo número de trabalhadores sindicalizados no país, na ordem de 20% da força de trabalho, ou seja, 18,4 milhões de pessoas.

2 – As Forças Armadas não conseguiriam pôr um blindado em cada cidade
Existe um documento fundamental se você quiser entender o tamanho das Forças Armadas no Brasil: é o Livro Branco de Defesa Nacional. Ele traz diversas informações estratégicas sobre o Exército, a Marinha e a Aeronáutica, inclusive detalhando quantos navios, tanques de guerra e aviões as Forças Armadas possuem – com fotos!. Mesmo a versão desatualizada, disponível para consulta na página do Ministério da Defesa, já serve para mostrar a dificuldade de infraestrutura desses órgãos.

Se somarmos todos os tipos de blindados listados no Livro Branco, não se tem 4 mil tanques. Com 5.570 municípios no Brasil, se as Forças Armadas pretendessem ocupar todas as cidades, não conseguiriam. Na verdade, 28% dos municípios não teriam a presença fortemente armada do Exército. É o equivalente a deixar toda a Região Sul, com suas 1.191 cidades, de fora de um eventual golpe militar. É mais fácil, por exemplo, as autoridades travarem as ruas de Brasília, bloqueando as principais vias da capital federal usando só os 850 carros oficiais à disposição dos ministérios.

3 – A sociedade civil parece estar mais armada que os militares
As Forças Armadas não divulgam quantas armas possuem, nem a capacidade de produção de munição da Indústria de Material Bélico do Brasil (Imbel), vinculada ao Exército, com fábricas no Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo. Mas de vez em quando militares da reserva vazam para a imprensa uma informação ou outra sobre o sucateamento que as Forças Armadas enfrentam. Em 2015, queixaram-se que 120 mil fuzis estavam em uso há 30 anos, sendo o tipo fabricado pela Imbel desde a década de 1970. Ficou famosa a frase do general na reserva Maynard Marques de Santa Rosa: “Posso afirmar que possuímos munição para menos de uma hora de combate”.

Enquanto isso, na sociedade civil, em dezembro de 2017, segundo o governo federal, 646 mil armas estavam com o registro ativo no país. Destas, 328 mil com pessoas físicas e 244 mil nas mãos de empresas de segurança privada. Dá para somar aqui outras 74 mil, cujo registro venceu na virada do ano – 66,7 mil delas em posse de pessoas comuns. Sem contar o mercado paralelo, que fornece armamento para o crime organizado, cujo indicador disponível é a apreensão de 10 mil armas de fogo por ano no Brasil. Não é à toa que de vez em quando um meme circula pela internet, arrancando risos dos internautas, ao dizer que em caso de o Brasil entrar em guerra deveria se apelar para os traficantes.

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