Aumentos na tarifa guardam “distância segura” das eleições, mostram dados

Cesar Brustolin/SMCS/Prefeitura de Curitiba
Desde 1994, nunca houve aumento a menos de seis meses das eleições

O cruzamento das datas dos aumentos da tarifa do transporte público de Curitiba com as das eleições municipais indica que os prefeitos que administraram a cidade desde o Real evitam que os reajustes estejam frescos na memória dos eleitores quando eles forem às urnas.

Desde 1994, não houve aumento de ônibus a menos de seis meses de uma eleição municipal em Curitiba. Por outro lado, o eleitor curitibano soube que teria que pagar mais pela passagem apenas 28 dias após votar num novo prefeito.

 

É óbvio que levam-se em conta outros fatores além da data das eleições para se definir a data do aumento da tarifa. Um deles é o reajuste dos salários de motoristas e cobradores dos ônibus. Nos últimos anos, a prefeitura tem vinculado uma e outra coisa. Apresentamos pedido à prefeitura, via Lei de Acesso à Informação, para saber quando foram concedidos aumentos salariais desde 1994.

Mas é fato que, em média, Gustavo Fruet (PDT), Luciano Ducci (PSB), Beto Richa (PSDB), Cassio Taniguchi (ex-PDT, hoje no DEM) e Rafael Greca (ex-PDT e PFL, atualmente no PMDB) deram 17 meses de intervalo entre o último aumento do ônibus antes e as eleições municipais seguintes. Passada a hora do voto, o reajuste seguinte levou nove meses, na média. Os números de cada um estão no gráfico a seguir.

 

Dois dos últimos prefeitos  deixaram a tarifa sem aumento por mais de um ano antes das eleições municipais: Rafael Greca segurou-a por 14 meses entre 1995 e 96; Beto Richa a manteve inalterada por 19 meses entre 2007 e 2008.

Num e noutro caso, o reajuste viria logo após o fechamento das urnas. Greca decretou aumento apenas 28 dias depois do então aliado Taniguchi ser eleito em primeiro turno para sucedê-lo. Lembremos que o INPC acumulou alta de 53,8% entre julho de 1994, lançamento do Real, e o fim do mandato de Greca, em dezembro de 96.

Já Richa determinou aumento 97 dias após ser reeleito com votação maciça no fim de 2008 – o decreto foi assinado dez dias após o tucano tomar posse para o segundo mandato. Outro dado: esses dois aumentos são os maiores da série histórica, em termos percentuais – 18,18% e 15,79%, respectivamente.

Atual prefeito, Gustavo Fruet decretou seu último aumento 17 meses antes do próximo pleito municipal, em outubro/2016, mas é possível (provável, até) que haja outro aumento até lá.

Cabe, ainda, frisar que o aumento mais próximo das eleições seguintes, determinado por Cassio Taniguchi em abril de 2004, teria pouca relevância na campanha eleitoral. O então pefelista vivia o fim de seu segundo mandato desgastado por denúncias de caixa dois na campanha de reeleição. Seu vice, Beto Richa, era candidato, mas os dois haviam rompido após o tucano cassar reajuste na tarifa determinado por Taniguchi, pavimentando seu caminho para o Palácio 29 de Março.

 

Há quem acredite que tudo não passou de jogo de cena – hipótese que ganhou corpo, tempos depois, quando Taniguchi tornou-se secretário na administração de Richa no governo do estado. Mas um integrante do estafe de Taniguchi contou ao Livre.jor que ele ficou furioso ao saber, em Portugal (onde estava para debater, ironicamente, o transporte coletivo), que seu vice revogara o aumento nas passagens.

Excluído esse, o reajuste mais próximo das eleições subsequentes passa a ser o decretado por Luciano Ducci em 2012, a oito meses do mandato (por coincidência, o peessebista sequer disputou o segundo turno naquele ano).

Por outro lado, Taniguchi, Richa e Gustavo Fruet também decretaram aumentos passados três meses após saírem vencedores das urnas. No caso dos dois primeiros, o reajuste veio no primeiro mês após a posse como prefeitos reeleitos.

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