Mortes por câncer de mama não diminuem no PR, mesmo com mais exames e cirurgias

Apesar de o número de exames preventivos (mamografias) e de cirurgias (mastectomias) aumentar no Paraná, a cada ano o número de óbitos em decorrência de câncer de mama cresce também. Segundo o Sistema de Informações sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, foram 842 em 2013 – último ano com dados consolidados.

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Se considerarmos que em 2003 foram registrados 541 óbitos, nesse intervalo de 10 anos houve aumento de 55% nos casos.  Em Santa Catarina, as mortes passaram de 301 para 528 no período – 75% a mais. Já no Rio Grande do Sul a situação é parecida, mas os dados “menos” alarmantes, pois é de “apenas” 23% a diferença (956 casos em 2003, 1.185 em 2013).

Lógico, são números absolutos coletados de populações que não deixam de crescer. Pelas estimativas do IBGE, a diferença numérica entre homens e mulheres, hoje na casa dos 3 milhões de indivíduos em todo o País, irá dobrar até 2060. O Sistema de Informações sobre Mortalidade registra 9,4 mil óbitos em todo o Brasil no ano de 2003 e, decorridos dez anos, 14,3 mil mortes em decorrência de câncer de mama. Um aumento de 52%.

E isso que, de 2003 até 2013, passaram a ser comuns no Brasil atividades relacionadas ao Outubro Rosa  – onde a cor é usada como símbolo em diversos eventos voltados a conscientizar mulheres sobre a importância dos exames preventivos, uma vez que detectar o câncer no estágio inicial implica em 95% de chance de cura.

Mamografias
Em 2013, a imprensa paranaense divulgou que o impacto do Outubro Rosa em Curitiba foi aumentar em 45% a procura por mamografias naquele mês (10,3 mil), ante os dados registrados em setembro (7,1 mil). Naquele ano, foram realizadas 188 mil mamografias no Paraná pelo Sistema Único de Saúde (SUS), 30% a mais que em 2009 (142 mil).

A marca, contudo, é inferior ao número registrado em 2012, quando 266 mil mamografias foram realizadas pelo SUS no Paraná. “No Brasil, notou-se aumento na taxa de mortalidade ocasionada por câncer mamário nas últimas três décadas . No Sul do país, há tendência de aumento da mortalidade por câncer de mama, com taxa de 0,47 de aumento de óbitos por ano, independente do estado”, afirmam pesquisadores da UEM, em artigo científico publicado neste ano em revista científica da PUC-RS [ link aqui].

“O aumento da mortalidade por câncer de mama tem sido atribuído, sobretudo, ao retardamento no diagnóstico e na implementação da terapêutica adequada”, dizem os autores do artigo “Cobertura estimada de mamografia no Estado do Paraná”. Eles cruzaram a existência de aparelhos para a realização do exame com a população de mulheres com idade entre 40 e 69 anos no entorno dos equipamentos médicos.

Foi constatado, na pesquisa, que a rede pública do Paraná tem número de mamógrafos superior ao recomendado pela portaria 1.101/2002, do Ministério da Saúde, que define como parâmetro a instalação de um mamógrafo para cada 240 mil habitantes.  “Em detrimento do número de equipamentos ser ”adequado”, no estado do Paraná, os casos de câncer de mama têm aumentado gradativamente”, atestam.

Tiara Cristina Romeiro-Lopes, Angela Andréia França Gravena, Cátia Millene Dell’Agnolo, Ítalo Henrique Vieira Pires, Sheila Cristina Rocha-Brischiliari, Deise Helena Pelloso Borghesan, Marcela de Oliveira Demitto, Maria Dalva de Barros Carvalho e Sandra Marisa Pelloso escrevem, no artigo, que hoje a estimativa é de 2.900 casos de câncer de mama por ano no Paraná.

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Cirurgia
A mastectomia, que é o nome dado à cirurgia de ressecção completa da mama – geralmente seguida da reconstrução do seio –  é a principal terapia utilizada no enfrentamento deste câncer. Dados do SUS mostram que, em 2014, foram realizadas 704 dessas cirurgias no Paraná – 19% a mais que em 2008 (590 procedimentos).

A título de nota técnica a respeito desses dados , vale dizer que, igual ao número de mamografias, há alguma flutuação na quantidade de exames feitos ano a ano, que somam 4,7 mil de janeiro de 2008 a julho de 2015 . Mesmo assim, a tendência de incremento na realização do procedimento é clara. É uma pena que as bases de dados não dialoguem diretamente, para termos indicadores mais claros sobre o quadro da doença.

No governo federal, há uma tentativa de avançar nesse cenário, pois foram criados bancos de dados específicos para informações a respeito de câncer de mama (Sismama) e de colo do útero (Siscolo). Infelizmente, a interface ainda é focada na experiência dos gestores de saúde, e não das pessoas interessadas em saber mais sobre a condição geral da doença no Brasil.

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