Beto Richa com o presidente da Renault do Brasil, Oliver Murguet, e o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, na inauguração da nova fábrica da Renault, em São José dos Pinhais, em março de 2013.

Uns poucos dias após ser convidado a fazer parte do Livre.jor, uma ideia me veio à cabeça: usar a Lei de Acesso à Informação (LAI) para pedir o protocolo de intenções firmado, nos anos 1990, entre o governador Jaime Lerner (1995-2003) e a montadora francesa Renault.

Parênteses: o documento, que viabilizou a instalação da montadora no Paraná, foi mantido sob estrito sigilo pela gestão Lerner. Na oposição, o então senador Roberto Requião (PMDB) torpedeava o acordo, acusando o governo de gastar muito mais do que anunciava para trazer a Renault.

Lerner, que afirmou em artigo para a Folha de S. Paulo que “há um Paraná antes da Renault; desenha-se outro depois dela”, se reelegeu em 1998 na esteira do sucesso de seu programa de industrialização. No mesmo espaço, Requião rebateu, com a aspereza habitual.

Meses antes, o já então deputado estadual Luiz Claudio Romanelli (do PMDB de Requião) obtivera o que dizia ser cópia do protocolo e a entregou à Folha. Ironicamente, hoje ele é líder do governo Beto Richa (PSDB), que já fez desagravo público à montadora por “maus tratos” sofridos durante o segundo e terceiro mandatos de Requião (2003-2010). O caso chegou à Justiça e rendeu até dissertação acadêmica. Fecha parênteses.

Assim, em 18 de maio de 2015, o Livre.jor apresentou pedido de informações ao estado. Dizia o seguinte: “Solicito cópia do protocolo de intenções assinado em março de 1996 entre o então governador Jaime Lerner e a Renault do Brasil. Requeiro também documentos aditivos e eventuais contratos firmados entre o estado e a empresa privada com base no protocolo original”.

Registrado sob o número 21914/2015, código da consulta 66014, o processo pode ser consultado aqui. Mais que mostrar o documento, a intenção era dizer que a LAI tornava coisa do passado polêmicas como a dos distantes anos 1990.

Só que não foi bem assim.

A primeira resposta da Ouvidoria Geral do Estado ao pedido veio em 29 de setembro – mais de quatro vezes o prazo máximo de 30 dias fixado pela LAI para que o cidadão tenha seus pedidos atendidos. Novo contato veio em 9 de novembro. Nele, nos era pedido o motivo pelo qual desejávamos ter acesso ao protocolo – a lei veda que se exija do cidadão suas motivações para fazer pedidos ao poder público.

Por fim, veio a reposta, assinada pela Ouvidoria e Secretaria Estadual da Fazenda: “Para obter cópia dos documentos é necessário comparecer pessoalmente nesta SEFA, Coordenadoria de Assuntos Econômicos – CAEC, 3º andar, na forma exposada no documento enviado”.

Telefonei para a Caec, buscando agendar um horário para apanhar o documento. “Não sei do que se trata”, respondeu a funcionária que me atendeu. “A Ouvidoria não informou vocês a respeito?”, devolvi. “Não”. Mais informações só seriam possíveis com a volta do chefe do setor, que está em férias até o fim do mês. Vamos aguardar, e iremos em busca do documento.

Enquanto isso, na sexta-feira passada, a Gazeta do Povo informou que o estado do Paraná caiu cinco posições na Escala Brasil Transparente, elaborada pela Controladoria Geral da União (CGU). Passou da terceira posição (nota 9,72) para a oitava (9,31).

A Renault, que fabrica automóveis em São José dos Pinhais desde 1998, detinha 7,4%  do mercado nacional em setembro.

You May Also Like

Quantas pessoas gays, lésbicas e trans vivem nas cidades do Paraná?

“Quando o Estado brasileiro nega o Censo [à população LGBTQIA+], nega a…

Cadê a sua? Paraná é o 2º estado do país com mais lanchas por habitante

Com 11,4 milhões de habitantes e 33,1 mil lanchas registradas na Marinha…

Com Uber ou sem? Algumas informações sobre o aplicativo e seus rivais em Curitiba

A Câmara de vereadores aprovou, em primeiro turno, um projeto de lei…

89 municípios foram criados no Paraná depois da redemocratização

Apareceu no Serviço de Informação ao Cidadão do IBGE (Instituto Brasileiro de…