“O Governo [do Paraná] está realizando a atualização do cadastro dos servidores no âmbito Estadual, para o E-social, o qual [sic] dados estarão, disponíveis a partir de junho/2018. No momento esses dados não demonstram a realidade, pois estão desatualizados”. Esta é a íntegra da resposta da gestão Beto Richa (PSDB) a pedido de informação do Livre.jor que buscava dados sobre a composição racial do funcionalismo público no Paraná.

Sabendo que há informação racial no cadastro dos servidores, e que os dados estão integrados eletronicamente, solicitamos que o governo do Paraná dissesse qual o total de servidores, separados quantitativamente por esses critérios. Pedimos que o relatório distinguisse efetivos de comisionados, órgão a órgão da gestão pública. Esses dados ilustrariam reportagem para a Gazeta do Povo sobre o Conselho Estadual da Promoção da Igualdade Racial (Consepir) ter aprovado uma recomendação administrativa, em agosto, pedindo a contratação de mais negros para os cargos comissionados.

A reportagem foi publicada em 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, sem os dados da gestão Beto Richa. Procurada pela reportagem na época, ela limitou-se a dizer que “o governo do Paraná obedece a Constituição Federal para a nomeação de servidores para funções comissionadas. A equipe de gestão é plural e o critério de escolha não distingue cor de pele, etnia, gênero, classe ou credo”. Dessa forma, não foi possível saber qual é a proporção de brancos e negros na administração estadual. Há 14 anos vige, no Paraná, uma cota de 10% para negros nos concursos públicos, instituída pela lei estadual 14.274/2003.

Três dias depois da publicação da reportagem, veio a resposta da Secretaria de Estado da Administração e Previdência que reproduzimos no lide desta notícia (pedido 69881/2017). Ingressamos com novo pedido de informação nesta semana, para ter acesso aos “dados desatualizados” (2152/2018).

Assembleia Legislativa
No dia 15 de dezembro foi a vez da Assembleia Legislativa do Paraná se manifestar a respeito, dizendo que não tinha sido notificada da recomendação do Consepir. E que “seja em relação a cargos comissionados, seja em relação a funções gratificadas, não há parâmetros normativos de aferição racial de seus ocupantes, por autodeclaração ou por outro critério subsidiáriode heteroidentificação”. Na ocasião, a Comunicação Social disse que só se manifestaria sobre o assunto se provocada via Lei de Acesso à Informação.

Só o Ministério Público do Paraná e a Defensoria Pública comentaram a recomendação e forneceram dados sobre a distribuição racial dos cargos comissionados, que podem ser conferidos aqui: “Conselho propõe cotas para negros em cargos comissionados, mas é ignorado“.

You May Also Like

Quantas pessoas gays, lésbicas e trans vivem nas cidades do Paraná?

“Quando o Estado brasileiro nega o Censo [à população LGBTQIA+], nega a…

Cadê a sua? Paraná é o 2º estado do país com mais lanchas por habitante

Com 11,4 milhões de habitantes e 33,1 mil lanchas registradas na Marinha…

Com Uber ou sem? Algumas informações sobre o aplicativo e seus rivais em Curitiba

A Câmara de vereadores aprovou, em primeiro turno, um projeto de lei…

89 municípios foram criados no Paraná depois da redemocratização

Apareceu no Serviço de Informação ao Cidadão do IBGE (Instituto Brasileiro de…