As pontas de um triângulo, a trindade religiosa, o primeiro número primo ímpar, “trias política“. Enfim, três é cabalístico, e também representa a quantidade de tentativas do governo paranaense em licitar a contratação de um jatinho. Desde dezembro passado a Casa Militar vem tentando. Já foram duas licitações, e até agora os leilões foram desertos. Ou seja, não apareceu interessado em oferecer o serviço para a gestão Beto Richa.

O valor continua o mesmo, cerca de R$ 4,8 milhões para um ano de táxi aéreo. Mas então, o que muda? Dentre os três editais (baixe o o primeiro edital aqui, o segundo aqui e o terceiro edital aqui), muda a idade das aeronaves. Ou seja, para conseguir contratar o serviço, o governo resolveu “baixar a exigência” e aceita que aeronaves mais velhas entrem no páreo. Nos editais anteriores, as aeronaves tinham que ter “fabricação máxima de 15 (quinze) anos”. A exigência deixou de existir no edital atual.

O serviço de táxi aéreo para o governador não é novo. A última vez que o governo abriu licitação para o mesmo objeto, com êxito na contratação, foi em 2013. De lá pra cá, foram apenas aditivos ao contrato com a Helisul Táxi Aéreo, em um contrato que nesses quatro anos custou mais de R$ 14 milhões ao Estado até o ano passado.

Aeronaves do governo não dão conta da segurança do governador – a alegação para a contratação do táxi aéreo é de que as aeronaves atuais do governo são de uso compartilhado e não são adequadas e suficientemente seguras para atender a “autoridade máxima do estado”.

Na justificativa do projeto, o governo afirma que existem três aeronaves de asas fixas na seção de transporte aéreo da Casa Militar. Nenhuma delas, aponta o órgão, dispõe de cabine pressurizada. Com isso, estão “desprovidas de condições técnicas para a realização de voos em maiores altitudes e em maior velocidade” e que “a utilização das referidas aeronaves resta prejudicada em situações meteorológicas adversas”.

Beto Richa, diz o edital, na condição de “autoridade máxima do Estado”, tem inúmeros compromissos dentro e fora do Paraná, que “impõem deslocamento aéreo eficaz, exigindo-se, com rigor, criteriosa observância quanto à segurança de voo”. Alega-se também que há grande demanda para uso das aeronaves atuais, cujo uso é dividido com as secretarias – em especial com a da Saúde, em razão da Central de Transplantes de Órgãos.

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