Acusado de encabeçar esquema que fraudou licitações de R$ 72 milhões no Paraná em 2011, o ex-governador e atual candidato ao senado pelo PSDB no estado, Beto Richa, foi detido preventivamente nesta terça-feira (11) pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP-PR), em Curitiba.

De acordo com o documento de pedido de prisão temporária emitido pelo MP-PR, o tucano foi citado em delação como beneficiado pelo esquema que envolvia “condutas criminosas cometidas por ex-agentes públicos que exerciam atividades junto à cúpula do Poder Executivo Estadual e grandes empresários locais, referentes à aquisição/locação de equipamentos para o programa do Governo Estadual denominado Patrulha do Campo”.

O colaborador da investigação, segundo requerimento de prisão do Gaeco, é o ex-deputado estadual Tony Garcia. De acordo com o delator, que afirma ter sido o responsável por receber o dinheiro do esquema para repassar ao tucano, o começo das tratativas para a fraude teria começado logo após a eleição do ex-governador em 2010.

O esquema envolvia o programa Patrulha do Campo, que vislumbrava implantação de “sistema de readequações e melhorias das estradas rurais em todo o Estado do Paraná”. A licitação do projeto em 2011 tinha por objeto “fornecimento de equipamentos e veículos novos, mediante locação para atuação na adequação e melhorias das estradas rurais”.  Segundo o MP-PR, a propina para por empresários que se beneficiariam da licitação era de 8% do total dos lotes arrematados.

Além de Richa, também teve pedido de prisão emitida pelo Gaeco a esposa do ex-governador e ex-secretária de estado, Fernanda Richa; o irmão do tucano, José Richa Filho (Pepe Richa); o ex-assessor Deonilson Roldo; o ex-secretário de Richa, Ezequias Moreira; Luiz Abi Antoun; Celso Antônio Frare; Edson Luiz Casagrande; Túlio Bandeira; André Felipe Bandeira’o empresário Joel Malucelli; Aldayr Petry; Emerson Savanhago; Robison Savanhago; e Dirceu Pereira.

O pedido do MP-PR também prevê busca e apreensão nas empresas Terra Brasil Terraplanagem; Ouro Verde Transporte e Locação; J.Malucelli Equipamentos; e Departamento de Estradas e Rodagens (DER).

O Gaeco juntou na peça relatos de como funcionava o suposto esquema, quem estaria na fraude, quem receberia, quanto recebia, transcrição de diálogos entre o delator e os acusados de participarem no esquema e muito mais informações. E aqui está o documento, de 85 páginas. Quer dar uma espiada direto na fonte?

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