No mês de abril, para cada 2 pessoas contratadas em Curitiba, 5 perderam o emprego com carteira assinada. Foi o pior momento de 2020 para quem buscava um posto de trabalho na capital do Paraná, segundo levantamento divulgado pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) nesta semana. Naquele mês, 19 mil empregos formais evaporaram na cidade.

Enquanto o vírus não tinha chegado em Curitiba, a cidade comemorava um saldo positivo de 16.752 postos de trabalho novos – em bom português, as contratações (75 mil) superavam as demissões (56 mil). Mas essa “gordura” de proteção social derreteu em março, abril e maio, com um déficit de 39.556 empregos formais.

Com quase 40 mil contratos de trabalho a menos, o mês de junho marcou o fim da sangria. Demissões e admissões empataram. Em julho e agosto, a balança virou e a economia formal começou a reagir, com saldo positivo de 6,5 mil novos empregos. Isto é menos da metade da atividade econômica de antes da pandemia, mas sinaliza uma recuperação.

O problema é que mesmo descontando os meses com saldo positivo, Curitiba ainda está “devendo” 16 mil contratos formais de trabalho. E seria pior se a construção civil não estivesse aquecida, acumulando mais contratações que demissões em 2020 do que em 2019.

O estudo do Dieese mostra que a situação apertou para valer no comércio, com déficit de 10 mil postos de trabalho formais. É onde houve o maior número absoluto de demissões sem reposição posterior da mão de obra formalizada. Nos serviços, o baque também foi grande: em 2019, o saldo estava positivo em 12 mil vagas; em agosto de 2020, era negativo em 6,5 mil postos de trabalho.

Então quando um candidato à prefeitura dizer que vai liderar a retomada de Curitiba, que vai enfrentar a pandemia, estar na linha de frente disso ou que fará uma reforma fiscal daquilo, não deixe por menos. Já embuta uma pergunta, na lata: e os empregos? Como você vai criar pra já 16 mil vagas, para voltarmos pelo menos ao patamar de 2019?

Bem trabalhadinha, essa é a questão que vale o Palácio 29 de Março em 1º de janeiro de 2021. O primeiro a apresentar um plano, e conseguir comunicá-lo aos eleitores, ganha a eleição. Apesar de faltarem só três semanas até a votação do primeiro turno.

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