Faltando menos de dez meses para as Eleições 2026, os bastidores da política paranaense discutem as chapas que disputarão o Palácio Iguaçu, quem terá o apoio do governador Ratinho Júnior, quem vai ser vice de quem, quais serão os primeiros a desistir. Só que fora dos partidos políticos, o que pensa a população do Paraná sobre os nomes mais citados no noticiário como candidatos?

Para responder a essa pergunta, realizamos um levantamento utilizando o Google Trends, ferramenta do Google que mede a popularidade de termos de pesquisa. Analisamos o comportamento de busca dos paranaenses ao longo de 2025, comparando cinco dos principais nomes especulados para a corrida ao Palácio Iguaçu: Sergio Moro, Rafael Greca, Alexandre Curi, Guto Silva e Requião Filho.

Antes de mergulharmos nos resultados, é importante entender a metodologia: o Google Trends não mostra o número exato de buscas, mas uma escala de 0 a 100. O valor 100 representa o pico máximo de popularidade. O objetivo aqui não é prever votos, mas entender quem está conseguindo capturar a atenção (e a curiosidade) da população.

CidadeSergio MoroRafael GrecaGuto SilvaAlexandre CuriRequião Filho
Curitiba33%39%12%13%3%
Cascavel77%23%
Maringá77%11%12%
Londrina72%13%15%
Pato Branco48%52%
S. J. dos Pinhais50%50%

Os dados revelam um cenário de polarização digital e desafios claros para quem deseja furar a bolha. Confira a análise detalhada.

Moro e Greca dominam a atenção na internet

A primeira conclusão que os dados sugerem é que, no universo digital, a disputa atual se resume a dois nomes: Sergio Moro e Rafael Greca.

Ao longo de 2025, ambos oscilaram constantemente entre 20 e 50 pontos na escala de interesse, mantendo uma relevância sustentada. Enquanto isso, os demais pré-candidatos — Alexandre Curi, Guto Silva e Requião Filho — aparecem, na maior parte do tempo, próximos ao “traço” (entre 0 e 5 pontos), indicando que ainda são desconhecidos do grande público ou não geram interesse espontâneo fora de fatos isolados.

A divisão geográfica: Capital vs. Interior

Um dos insights mais valiosos do levantamento é a nítida divisão territorial do interesse, desenhando dois “países” dentro do Paraná.

Os dados sugerem que Rafael Greca é o “dono” da atenção digital na Grande Curitiba. O ex-prefeito da capital lidera as buscas não apenas em Curitiba (com 39% do volume comparativo), mas domina cidades da Região Metropolitana como Colombo (44%), São José dos Pinhais (50%) e Pinhais (38%). Isso indica que sua imagem de gestor público tem forte recall onde sua administração foi vizinha.

Por outro lado, Sergio Moro demonstra força no interior. O senador lidera com folga nas grandes praças do agronegócio e polos conservadores. Em Cascavel e Maringá, Moro detém 77% do interesse de busca entre os nomes comparados. Em Londrina, ele chega a 72%. O mapa sugerido pelo Google Trends mostra que, quanto mais se afasta da capital, maior é a predominância do nome de Moro.

O que o eleitor quer saber?

Quando um paranaense digita o nome desses políticos no Google, o que ele está procurando? Uma forma de responder a essa pergunta é checar as “consultas relacionadas”, porque elas permitem fazer conjecturas sobre as fraquezas e forças de cada um.

Sergio Moro: O desafio da identidade

Embora seja o mais popular, os dados indicam que o eleitor ainda não o vê exclusivamente como candidato a governador do Paraná. As principais buscas associadas ao senador são “Presidente 2026”, “Trump”, “Bolsonaro” e “Lula”. O interesse é predominantemente nacional e ideologizado. Contudo, há um sinal de mudança: o termo “Moro Governador” registrou um crescimento repentino (+550%) em 2025, sugerindo que a população começa a assimilar esse movimento.

Rafael Greca: O gestor vitrine

Diferente de Moro, as buscas por Greca são focadas em administração e curiosidades pessoais. Termos como “Prefeito”, “obras” e referências a locais de Curitiba dominam. O eleitor busca o administrador, não o político. No momento, Greca é o único que consegue rivalizar na internet com Moro, mas sua fama é localizada na capital. No interior, ele é um coadjuvante nos dados.

Os “Candidatos de Gabinete” e a dificuldade de furar a bolha

Para Alexandre Curi e Guto Silva, o desafio digital é a visibilidade. Os dados mostram que ambos têm dificuldade em gerar interesse orgânico (espontâneo) entre os internautas.

Alexandre Curi teve um momento de destaque na semana de 2 de fevereiro de 2025, onde um pico de buscas, na semana da sua posse como presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, o fez atingir 48 pontos na escala — superando momentaneamente Moro e Greca. Fora desse episódio, o volume de buscas retorna a níveis baixos.

Um dado curioso é a “busca cruzada”: quem pesquisa por “Guto Silva” frequentemente pesquisa também por “Alexandre Curi” (e vice-versa). Isso sugere que o interesse vem de um nicho específico — possivelmente jornalistas, servidores e a classe política — e não do eleitor comum.

Há, porém, uma exceção regional importante: Guto Silva domina as buscas em Pato Branco, sua base eleitoral, com 52% do volume, provando que tem força local, mas não no restante do Paraná.

A oposição e o peso do sobrenome

Para Requião Filho, o cenário digital aponta para uma dificuldade de renovação da marca. O termo mais buscado associado ao seu nome é, invariavelmente, “filho do Requião”. Com volumes de busca baixos na comparação com os líderes (geralmente abaixo de 5 pontos), os dados indicam que ele ainda luta para desvincular sua imagem da figura paterna e se estabelecer como uma voz autônoma no debate estadual.

Se as eleições fossem decididas pelo volume de buscas no Google hoje, teríamos um embate claro entre duas forças: a popularidade interiorana de Sergio Moro contra a força de Rafael Greca na Grande Curitiba. Para os demais candidatos, o recado dos dados é que a articulação de bastidor ainda não se transformou em interesse popular.

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