O mais provável é que, daqui uns 250 dias, na data de 6 de abril de 2026, o prefeito de Curitiba, Eduardo Pimentel, seja o nome mais proeminente do PSD ainda filiado ao partido político de Gilberto Kassab no Paraná. Quer dizer, ao menos se Ratinho Júnior, Alexandre Curi e Rafael Greca forem fiéis à própria vaidade.

A vaidade move a política tanto quanto a ideologia. Talvez mais.

Um partido para ser presidente

Ratinho Júnior está no PSD para ter o apoio da máquina partidária de Gilberto Kassab no caso da candidatura presidencial da direita cair em seu colo. Só que, a cada dia que passa, a chapa bolsonarista está mais entre Eduardo Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Se for fiel à própria vaidade, que parece ser governar o país, Ratinho Júnior terá que convencer outro partido de que ele pode ser o próximo presidente do Brasil. Ou parece pra alguém que ele se sujeitaria a ser vice, depois de até implante de cabelo ter feito? Mas com quem ele se casaria, após uma separação conflituosa dessas?

Permanecer filiado ao PSD significa que Ratinho Júnior será candidato ao Senado, com grandes chances de vitória, já que serão duas vagas e a esquerda não tem nenhuma candidatura na manga. Uma pertenceria a ele e a outra a uma das facções do bolsonarismo, hoje dividido entre os olavistas de Londrina e o PL de Curitiba.

Um partido para vencer Guto Silva

O acordão que levou Eduardo Pimentel à Prefeitura de Curitiba anda por um fio, com Ratinho Júnior preparando Guto Silva para ser o seu nome na corrida pelo Palácio Iguaçu, em vez de explicitamente apoiar Alexandre Curi, como estava pré-arranjado. Pra que ceder poder, quando não se é obrigado a isso, certo?

De novo, tudo passa por Kassab, porque se Ratinho fraquejar na vaidade, e se lançar ao Senado, para ele é bem menos arriscado apoiar seu escudeiro, Guto Silva, que Alexandre Curi. Se sair, para disputar Brasília, vai querer um palanque descomplicado por aqui, e daí tudo pode acontecer, inclusive rifar Alexandre Curi por Sérgio Moro.

O PSD se gaba de, no Paraná, ter elegido 41% dos prefeitos. Mas quantos deles são de Alexandre Curi, quantos são de Ratinho Júnior? A lógica manda a gente apostar no primeiro, que construiu sua posição graças a uma rede de apoios políticos descentralizada, estruturada em municípios de porte menor.

Dito isto, fica óbvio o motivo de as pesquisas de opinião não mostrarem Alexandre Curi nas cabeças. O voto que ele tem é difícil de medir. A aposta é obviamente chegar ao segundo turno e cobrar todos os favores que acumulou nessas décadas de política para arrematar a fatura. Uma estratégia hiper pragmática.

E se o PSD não estiver disponível? Já que os votos que Alexandre Curi precisa não dependem de Ratinho Júnior, ele mudaria para qual legenda? O Podemos parece disponível, mas só digo isso em razão da filiação de Cristina Graeml, neste cenário, soar como uma ameaça antecipada ao senador Ratinho Júnior. Que outras cascas de banana Curi preparou pelo caminho?

Se Alexandre Curi mudar de partido, talvez revele sua decisão somente na última hora, mas certamente haverá sinais. Igual aos outros políticos com cargos na Assembleia Legislativa e Congresso Nacional, a janela para migração partidária provavelmente será entre 7 de março e 5 de abril, e ele não mudará de legenda sozinho. 

Um partido que tope uma aventura

Todos querem a tranquilidade de ter Rafael Greca candidato a vice-governador na sua chapa ao Palácio Iguaçu, para abraçar os votos de Curitiba. Mas quem viveu na capital do Paraná, nos últimos oito anos, igual a mim, duvida que isso vá acontecer espontaneamente.

Se tem uma coisa que Ratinho Júnior e Alexandre Curi podem aprender com Greca é que vaidade não é um defeito se você não a esconde no armário. Ao vesti-la, misturada com amor próprio, o ex-prefeito convenceu os curitibanos que toda aquela empolgação não era só narcisismo, mas um orgulho real da posição que ocupava. Essa fantasia foi uma aula de marketing político.

No PSD, Rafael Greca não passará de um “vice troféu”. Se sair, e o partido tiver recursos, pode arriscar qualquer coisa, que Curitiba tem votos suficientes para levar um candidato ao segundo turno do Palácio Iguaçu ou ao Senado. Se a sigla for pobre, igual o antigo PMN, quem garante que a mágica não se repetirá?

Greca é o único político que ganha com a implosão do acordão. E que se beneficiaria da competição aberta, da entropia e do caos.

Um desafio para Kassab
Os votos do Paraná pesarão numa candidatura de Tarcísio Freitas, então Kassab não pode irritar Ratinho Júnior. Ninguém fala disso, mas é verdade. Tudo tem que ser bem combinado, tipo uma promessa de ministério na gestão, no mínimo. Com ele apaziguado, sobraria garantir o Palácio Iguaçu a Curi e “convencer” Greca a ficar no partido.

Vai ser divertido de ver.

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