Duas semanas depois de a gestão Rafael Greca (PMN) denunciar o ex-prefeito Gustavo Fruet (PDT) ao Tribunal de Contas do Estado, por supostamente ter deixado um rombo de R$ 612 milhões no orçamento de Curitiba, o Ministério Público do Paraná (MP-PR) abriu uma investigação para constatar a existência de “despesas sem empenho” nos gastos do pedetista em 2016. A apuração, aberta no dia 22 de março pela promotora Luciane de Freitas, segundo o sistema eletrônico do MP-PR, ainda está em andamento.

O extrato dessa apuração envolvendo a transição na Prefeitura de Curitiba consta na edição 9.915 do Diário Oficial do Estado, mas como vocês podem checar pela imagem acima, ela não indica Fruet como investigado. O uso da expressão “a apurar”, comum nesses extratos de inquéritos civis, significa que o promotor, ao iniciar a apuração, não tinha certeza sobre quem responsabilizar no caso de as evidências corroborarem a queixa.

Nem dá para saber se a promotora Luciane de Freitas pautou-se pela investida de Greca contra o antecessor, por notícia de jornal ou qualquer outra fonte. Ela, ao agir “de ofício”, quer dizer, por vontade própria, puxou para si a responsabilidade do início da investigação. Enquanto nós seguimos atrás desta história, vale registrar que no mês de março o MP-PR publicou duas relações de novas apurações no Diário Oficial do Estado: além da 9.915, com apenas 385 novos casos, a edição 9.897 talvez tenha publicizado um recorde. Foram 3,4 mil inquéritos e procedimentos preparatórios numa paulada só.

É tanta coisa que optamos por separar, na imagem abaixo, apenas exemplos da Promotoria de Patrimônio de Curitiba, que cobre os principais órgãos do Governo do Paraná e a prefeitura da capital. Recomendamos que você consulte a lista completa, de forma autônoma, com 107 folhas, iniciada na página 89, a partir do download disponível neste link. Os outros três casos destacados aqui, no meio das 3,7 mil novas investigações divulgadas em março pelo MP-PR, 880 delas só a respeito de políticos, gestores e servidores públicos, são só um aperitivo.

Por exemplo, a promotora Claudia Madalozo investiga se a Secretaria de Estado da Fazenda geriu corretamente os recursos do Fundo Nacional de Educação, Letícia Cuenca conduz inquérito sobre pagamentos da Secretaria de Saúde na região de Ivaiporã e Marcelo Maggio verifica se, finalmente, os recursos da Saúde em Curitiba já foram “carimbados” dentro do orçamento da capital, com sua gestão indo para o Fundo Municipal de Saúde, como determina a legislação.

Se você acompanha o trabalho do Livre.jor, de vigilância dos diários oficiais, já está acostumado com os nossos alertas sobre a importância dessas listas do MP-PR. Lógico que elas são preliminares, e todos os citados são inocentes até prova em contrário, que depende de futura ação judicial… mas os procedimentos preparatórios (“suspeitas leves”) e os inquéritos civis (“indícios fortes”) dão um retrato atual da política estadual. Não confia na imprensa? Oras, beba na fonte. Com o número dos inquéritos, você acessa aqui os documentos.

You May Also Like

Quantas pessoas gays, lésbicas e trans vivem nas cidades do Paraná?

“Quando o Estado brasileiro nega o Censo [à população LGBTQIA+], nega a…

Cadê a sua? Paraná é o 2º estado do país com mais lanchas por habitante

Com 11,4 milhões de habitantes e 33,1 mil lanchas registradas na Marinha…

Com Uber ou sem? Algumas informações sobre o aplicativo e seus rivais em Curitiba

A Câmara de vereadores aprovou, em primeiro turno, um projeto de lei…

89 municípios foram criados no Paraná depois da redemocratização

Apareceu no Serviço de Informação ao Cidadão do IBGE (Instituto Brasileiro de…