Faz seis meses desde que conversamos sobre a política do Paraná pela última vez e a verdade é que pouca coisa mudou. Os principais jogadores continuam firmes nos seus propósitos: Ratinho Júnior quer ser candidato a presidente da República (se tiver o suporte do PSD de Kassab), Alexandre Curi deseja virar governador (desde que tenha o apoio de Ratinho Júnior) e Rafael Greca não quer se aposentar da vida pública (o cabra é vaidoso).
No segundo escalão da realpolitik paranaense, Sérgio Moro se embriaga com as pesquisas de opinião favoráveis (insufladas pelo recall do lavajatismo), Requião Filho vive a mesma euforia (só que com a leveza dos azarões) e Guto Silva levita sobre os rivais graças ao ar quente soprado pelo atual governador do Paraná… cujo fôlego acaba em abril, quando Ratinho Júnior provavelmente irá se desincompatibilizar para disputar o Palácio do Planalto.
No dia da posse de Darci Piana como governador do Paraná, estará aberta a temporada de caça a Guto Silva. Dos políticos na corrida pelo Palácio Iguaçu, ele é quem tem a posição mais frágil, porque seu sucesso na eleição depende totalmente de Ratinho Júnior. Curi e Greca têm luz própria, teriam condições de vencer a eleição com o apoio mínimo do futuro ex-governador. Já Guto Silva, não, porque ele é desconhecido na capital, já que sua base eleitoral fica no Oeste. Saltar de 66 mil votos para cerca de 4 milhões não é tarefa fácil.
Fogo amigo no PSD pra já; Moro no horizonte de eventos
Não precisa ser vidente para profetizar que antes de Curi e Greca se contentarem com uma vice de Guto Silva, certamente estão buscando inverter essa situação, de ficarem abaixo de um político com menos prestígio. Curi é a maior eminência parda da política paranaense, além de ter, na última eleição, de 2022, quando foi reeleito pela sexta vez para a Assembleia Legislativa do Paraná, obtido 237 mil votos, pontuando em 376 municípios (95% das cidades do Estado). Mais que o triplo que Guto Silva.
E o que dizer de Greca, que foi reeleito para a Prefeitura de Curitiba, em 2020, com 499 mil votos só na capital? Não importa quanto Eduardo Pimentel o trate como página virada, Greca ainda ocupa um lugar privilegiado na memória do eleitorado. Esse carisma todo faz dele o vice preferido de todo mundo, ao ponto de até do PT fazer gestos na sua direção. Falta ver como ele se comporta fora dos holofotes políticos, ao deixar a Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Governo do Paraná.
É de se esperar que Guto Silva seja alvo de noticiário negativo muito em breve, porque é a única jogada disponível para quem disputa a indicação de Ratinho Júnior. Se engrenar a candidatura à Presidência da República, talvez fosse melhor para Carlos Massa Júnior levar Guto Silva para a Câmara Federal, garantindo uma pessoa de confiança, em caso de vitória, no Congresso Nacional. A verdade é que o destino deste definirá a candidatura daquele, sob pena de implodir o PSD no Paraná.
Enquanto isso, está divertido ler, nas colunas políticas dos jornais paranaenses, as notas plantadas por interessados em se tornarem vice de Sérgio Moro. Semana passada, Flávio Bolsonaro sinalizou apoio ao ex-ministro de Jair, o que poderia levar o PL à vice e poria uma pedra sobre as desavenças entre a família e Moro. Um pouco antes, o boato era que o atual presidente da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), Edson Vasconcelos, que é de Cascavel e teve o apoio de 63 dos 95 sindicatos filiados à entidade, será o vice de Moro.