Guardas municipais do Grupo de Operações Especiais; ao fundo, a imagem da caveira atravessada por faca

A prefeitura de Curitiba considera que a imagem de um crânio humano atravessado por uma faca e dois revólveres, utilizada em viaturas do grupo de operações especiais da Guarda Municipal, é apenas “uma forma de diferenciá-las”. A afirmação está em resposta a pedido de informações a respeito feito pelo Livre.jor, via Lei de Acesso à Informação (LAI).

“A simbologia da ‘faca na caveira’ dentro das instituições de segurança pública serve para diferenciar os Grupos de Operações Especiais (que fazem curso especializado em técnicas e táticas policias), tornando-os mais qualificados na área operacional, e é utilizada pela maioria dos grupos de operações especiais em todo o território brasileiro”, diz resposta assinada pela secretaria municipal de Defesa Social.

Ainda segundo a resposta, “as viaturas que não são do grupo de operações especiais, que são cerca de 95% da frota da Guarda Municipal, têm a seguinte inscrição na lataria: ‘Salvaguardando a vida, nosso maior patrimônio'”.

Conforme prevê a LAI, o Livre.jor apresentou recurso à secretaria de  Defesa Social. Perguntamos por que as viaturas do Grupo de Operações Especiais não trazem a inscrição em respeito à vida, e inquirimos a prefeitura se não parece desnecessário o uso de uma imagem que obviamente faz apologia à violência em veículos públicos.

Também questionamos o Ministério Público Estadual a respeito do uso de imagens que fazem apologia à violência em viaturas de forças policiais. Assim que tivermos a resposta a ambos os pedidos, publicaremos.

Há poucos dias, o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate do Crime Organizado do Ministério Público do Paraná) divulgou que polícias e guardas municipais do Paraná mataram 264 pessoas em 2016, alta de 7% em relação a 2015, quando 247 paranaenses foram vitimados pelas forças de segurança pública,

Isso quer dizer que, em 2016, uma pessoa morreu vitimada por forças de segurança a cada 36 horas no Paraná, em média. A Guarda Municipal de Curitiba é responsável por duas das mortes.

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