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“A mão invisível das milícias” e #solteiragate são os grandes vencedores do 2º Prêmio de Jornalismo-Mosca

“A mão invisível das milícias” e #solteiragate são os grandes vencedores do 2º Prêmio de Jornalismo-Mosca

A comissão organizadora do 2º Prêmio Livre.jor de Jornalismo-Mosca não sabia, quando conferiu as 45 inscrições efetivadas, quanto teria que rebolar para ser justa com todos os jornalistas, agências de notícias, veículos nacionais e regionais de imprensa. Nem imaginava que isso passaria pela criação de um troféu especial, que de agora em diante será incorporado ao regulamento. Rufem os tambores!

2º PRÊMIO LIVRE.JOR DE JORNALISMO-MOSCA (2020)

TROFÉU RASTILHO 2020 – APÓS DENÚNCIA DA FIQUEM SABENDO, GOVERNO LIBERA 27 ANOS DE DADOS DE PENSIONISTAS CIVIS
Esforço de desaprisionamento de dados da Fiquem Sabendo (Bruno Morassutti, Maria Vitória Ramos, Léo Arcoverde e Luiz Fernando Toledo).

Da banca julgadora: Dar ou não dar o primeiro lugar para o desaprisionamento desses dados? Obviamente que várias reportagens importantes foram feitas a partir das informações obtidas, mas não deveriam essas apurações concorrerem individualmente? É um produto jornalístico ou é algo diferente? Foi de quebrar a cabeça. Mas acreditamos ter chegado num porto justo: isto, que é jornalismo, mas também transcende o jornalismo, merece uma análise separada. Por isso criamos o Troféu Rastilho – ligando a chama ao explosivo, para que iniciativas como esta possam ser reconhecidas e enaltecidas. E ninguém melhor que a Fiquem Sabendo para ser a detentora do primeiro título desse grand prix.
Dos autores: Dezenas de reportagens foram e estão sendo publicadas com base nos dados, que são massivos e dizem respeito a mais de 100 anos de história que até então estava oculta. Um veículo independente conseguiu denunciar a falta de dados a uma corte, consegue uma decisão favorável e abre, para toda a comunidade, uma gigantesca base de dados de extremo interesse público e consegue repercussão nacional em praticamente todos os principais veículos de comunicação do país.

1º LUGAR – A MÃO INVISÍVEL DAS MILÍCIAS
Reportagem de Igor Mello e Lola Ferreira, para o UOL.

Dos autores: Essa investigação guiada por dados tem grande ineditismo e permitiu uma série de conclusões baseadas em fatos sobre a ação da polícia no Rio. Provou que basicamente não há ação policial violenta em áreas de milícia e, mais importante, comprovou que em diversos casos as operações policiais durante disputas de facções enfraqueceram facções de tráfico de drogas e ajudaram grupos paramilitares a conquistarem novos territórios. A reportagem repercutiu na discussão política e acadêmica sobre a expansão das milícias no Rio de Janeiro, sendo comentada pelos principais estudiosos do tema no país, assim como por políticos de diversas matizes ideológicas. Também teve espaço importante no debate sobre a ADPF (Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental) 635, no STF (Supremo Tribunal Federal), que levou, em decisão histórica, à restrição de operações policiais em comunidades durante a pandemia de covid-19.
Da banca julgadora: Única unanimidade entre os quatro julgadores, a reportagem tem tudo aquilo que consideramos ser imprescindível no jornalismo-mosca: é uma apuração rigorosa, cuja denúncia incomoda pessoas em posições privilegiadas de poder e que é feita apesar do risco pessoal para os repórteres. Mais que isso: ela estabelece uma nova proposta de cobertura na seara dos direitos humanos e da segurança pública.

2º LUGAR – SENTENÇAS DE SÉRGIO MORO NA LAVA JATO FORAM MAIS RÁPIDAS ANTES DO IMPEACHMENT DE DILMA
Reportagem de Naira Hofmeister, Taís Seibt e Pedro Papini para a Agência Pública.

Dos autores: Para os 112 processos, tabelamos, tanto para a 1ª quanto para a 2ª instância, a data de início, data de sentença, tempo de tramitação e valor da causa (valor de indenização aos cofres públicos), dados que variaram de acordo com o andamento de cada processo. Esse trabalho gerou dados inéditos a partir de processos judiciais. Ou seja, criou métricas que permitem à sociedade escrutinar o trabalho de um dos poderes constituídos da República. Esses dados não estavam disponíveis, precisamos ler cada uma das sentenças e outras peças dos processos para tabular. Além disso, revela que há setores do judiciário mais fechados que outros, como é o caso das seccionais de São Paulo, Rio e Brasília, nas quais não obtivemos nenhum documento através de assessoria de imprensa e também de Lei de Acesso a Informação. Na reportagem, estão disponibilizadas para download as tabelas com todos os dados e um guia explicativo com a metodologia, que pode ser reproduzida.
Da banca julgadora: Qualquer cobertura crítica ao Judiciário, que é o poder público mais opaco da República, merece elogios. É raro quem se debruce sobre isso, pois dificilmente são pautas quentes, são difíceis de traduzir e mais ainda de achar um veículo de imprensa que aceite publicá-las. Quando você junta tudo isso e de quebra lança mais luz sobre a Operação Lava Jato e sobre a parcialidade de um ~provável~ presidenciável, naquela que será uma das eleições mais conturbadas da história do país, logo ali em 2022… Bom. Merece, no mínimo, um prêmio.

3º LUGAR – CONHEÇA TODOS OS SUPER SALÁRIOS DA CÂMARA DE RIBEIRÃO PRETO
Reportagem de Cristiano Pavini para O Farolete.

Do autor: A Câmara de Vereadores negou acesso ao banco de dados dos salários via LAI. O repórter baixou manualmente os dados e divulgou uma lista pública com a remuneração de todos. O Ministério Público abriu inquérito com base na divulgação das informações. Lancei o site Farolete como forma de saciar a abstinência do jornalismo e trazer luz a temas relegados pela a imprensa local, seja por desinteresse editorial, seja pelo desmantelamento das redações. Com a relação nominal/salarial aberta no site, possibilitei que outras “moscas” atuassem para denunciar eventuais irregularidades.
Da banca julgadora: Muitos trabalhos inscritos poderiam estar empatados aqui, ao lado do Farolete. Mas tem uma diferença: para um veículo independente, os riscos são maiores. Quando se trata de lidar com salário de servidores públicos, é ainda mais “perigoso”. Publicar a relação dos supersalários é flertar com pesadelos – e a gente adora isso. Essa petulância de irritar dezenas de pessoas amparado somente numa ideia do que é socialmente justo… Foi a escolha mais difícil, mas que julgamos contemplar e estimular mais jornalistas a investirem nas pautas regionais.

CATEGORIA UNVERSITÁRIA
1º LUGAR – São Paulo tem uma nova ação com pedido de despejo a cada 22 minutos durante pandemia do coronavírus.
Reportagem de Sophia Lopes, estudante da Casper Líbero, com a tutoria da Fiquem Sabendo, para a Yahoo Notícias.

Da banca julgadora: Em geral, as inscrições na categoria Universitária são exercícios com dados já prontos, obtidos via transparência ativa. Nesta, não. Teve Lei de Acesso à Informação e muita sensibilidade na seleção da abordagem. Poderia ter facilmente concorrido entre os profissionais.

2º LUGAR – ‘Infelizmente a Covid chegou’, relata neto de indígena morto em aldeia de MS
Inscrição de Guilherme dos Santos Correia, da UFMS, para a Revista Badaró, com Adrian Albuquerque, Marina Duarte e Leopoldo Neto.

Da banca julgadora: A Revista Badaró tem que ser lida por todo mundo e ponto final. Nesse caso, os dados não são o fio condutor da reportagem, mas aparecem incidentalmente para contextualizar a batalha dos indígenas contra a pandemia do novo coronavírus no Mato Grosso do Sul.

3º LUGAR – Com Bolsonaro no poder, Marinha gastou mais de R$ 1,1 milhão apenas em medalhas.
Reportagem de Sophia Lopes, estudante da Casper Líbero, com a tutoria da Fiquem Sabendo, para a Yahoo Notícias.

Da banca julgadora: Todos gastos públicos peculiares deviam ser tema de reportagens diariamente, até que o absurdo de uma despesas desse tipo soe efetivamente absurdo aos ouvidos de quem autoriza esse tipo de gasto. Essa reportagem é um clássico bem executado.

MENÇÃO HONROSA – Passei dois meses dentro de grupos bolsonaristas durante a pandemia
Reportagem de Sérgio Pantolfi, estudante da Unesp, para os Jornalistas Livres.

Da banca julgadora: Só pela paciência de passar esse tanto de tempo exposto ao conteúdo que ali circula, dá vontade de chamar o guri para pagar uma cerveja e ouvir as histórias. A tentativa de elaborar um banco de dados próprio valeu a Menção Honrosa.

PREMIAÇÃO EM DINHEIRO – Graças a 10 doadores, nesta edição serão distribuídos R$ 900 aos participantes do 2º Prêmio Livre.jor de Jornalismo-Mosca. A comissão organizadora achou justo, dada a criação do troféu especial na fase de análise dos finalistas, dividir o montante entre o 1º lugar (70%) e o Troféu Rastilho (30%). Entraremos em contato com os responsáveis pela inscrição nesta segunda-feira (26).

25 DE OUTUBRO – Hoje faz 45 anos que o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado pela ditadura militar brasileira. Não esquecemos e não esqueceremos.



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