No dia 24 de março, Sérgio Moro trocou a federação União-PP. de Antônio Rueda e Ciro Nogueira, pela filiação ao PL de Valdemar Costa Neto, a pedido de Flávio Bolsonaro. Antes disso, apesar de liderar as pesquisas de opinião, as chances reais dele ser eleito governador do Paraná eram baixas. Os grupos políticos da centro-direita pendiam na direção de quem Ratinho Júnior apoiasse.
Quando Flávio Bolsonaro ignorou as acusações de Sérgio Moro sobre seu pai manipular a Polícia Federal, e se humilhou por um palanque no Paraná, deve ter ficado surpreso com a velocidade que o senador aceitou. Não foi à toa, porque Moro viu cair do céu um dos maiores tempos de tevê e o maior fundo eleitoral da paróquia. Talvez ele nem tivesse legenda para disputar o Palácio Iguaçu.
Neste momento, o lavajatismo, o olavismo e o bolsonarismo tendem a dividir espaço na chapa de Sérgio Moro. É a candidatura dos sonhos, não é? Mas as chapas só serão formadas em agosto, as eleições serão em outubro. É o sacolejar dessa estrada que vai acomodar as melancias.
Mesmo transtornado por ser retirado da disputa presidencial contra a sua vontade, Ratinho Júnior trouxe Cristina Graeml pro PSD, o que pode rachar o olavismo. Jogou a única cartada que tinha. Mas é uma fissura pequena no grupo político de Londrina. Quase anedótica.
O golpe mais potente que Moro pode sofrer vem de Alexandre Curi, que recentemente se filiou ao partido Republicanos, que é o mesmo do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas. Muitos bolsonaristas admiram o sujeito, logo trocariam fácil o “traidor” Moro por um candidato chancelado pelo quadro mais admirado do grupo.
Mas Curi terá Tarcísio na sua propaganda partidária? Esse apoio já foi testado em pesquisas de opinião? Flávio Bolsonaro interviria contra Curi, sob pena de perder votos em São Paulo, brigando com seu principal cabo eleitoral? Curi apoiaria o filho do capitão explicitamente, mesmo sabendo que, em um segundo turno com Moro, serão os votos da esquerda que decidirão o pleito?
O nó das eleições no Paraná hoje está com o Republicanos.