Última vez que a disputa ocorreu foi em 2006, quando Requião venceu Osmar Dias por 10.479 votos. Depois, Beto Richa e Ratinho Junior somaram quatro vitórias no primeiro turno.
O Paraná chega às eleições de 2026 com quatro disputas consecutivas para governador resolvidas no primeiro turno. A última vez que os eleitores precisaram voltar às urnas para escolher quem comandaria o estado foi em 29 de outubro de 2006. Naquela ocasião, Roberto Requião, do então PMDB, foi reeleito após superar Osmar Dias, do PDT, por uma diferença de aproximadamente 0,20 ponto percentual.
>> Confira aqui o resultado das eleições no Paraná para presidente, governador e Senado desde 1998
De lá para cá, Beto Richa, pelo PSDB, venceu as eleições de 2010 e 2014, enquanto Ratinho Junior, pelo PSD, ganhou em 2018 e 2022. Na série histórica de resultados de 1998 a 2022 reunida pela Livre.jor, apenas duas das sete eleições estaduais exigiram segundo turno: as de 2002 e 2006.
Para ser eleito governador no primeiro turno, um candidato precisa receber mais da metade dos votos válidos — isto é, superar a soma dos votos dados a todos os adversários. Votos em branco e nulos não entram nesse cálculo. Quando ninguém alcança essa maioria, os dois mais votados disputam uma segunda votação.
Em 2006, diferença entre Requião e Osmar foi de 10.479 votos
O primeiro turno de 2006 teve 11 candidatos ao Governo do Paraná. Requião terminou à frente, com 2.321.217 votos, equivalentes a 42,81% dos válidos. Osmar Dias recebeu 2.093.161 votos, ou 38,60%. A vantagem do candidato à reeleição naquela etapa foi de 228.056 votos, mas nenhum dos dois alcançou o percentual necessário para encerrar a disputa.
Outros dois candidatos concentraram a maior parte dos votos restantes. Flávio Arns, que concorreu pelo PT, obteve 506.825 votos, ou 9,35%, enquanto Rubens Bueno, do PPS, recebeu 437.689, equivalentes a 8,07%. Os outros sete concorrentes somaram 63.731 votos, aproximadamente 1,18% dos válidos.
No segundo turno, a distância entre os finalistas diminuiu. Requião foi reeleito com 2.668.611 votos, ou 50,10%, contra 2.658.132 votos de Osmar, equivalentes a 49,90%. A diferença de 10.479 votos definiu uma eleição que contabilizou mais de 5,3 milhões de votos válidos.
A definição ocorreu na parte final da apuração. Osmar aparecia à frente durante a maior parte da contagem. Com 98,57% das urnas apuradas, os candidatos estavam empatados nos percentuais exibidos. Requião passou à frente quando a apuração chegou a 98,88%, antes da confirmação do resultado final.
Sequência de primeiros turnos marcou chegada de novo grupo político
A série de vitórias no primeiro turno não começou com a continuidade do grupo vencedor em 2006, mas com sua derrota na eleição seguinte. Em 2010, Beto Richa venceu Osmar Dias, que dessa vez concorreu aliado a Requião. Adversários no segundo turno anterior, Osmar e Requião integraram a mesma coligação quatro anos depois, com o primeiro disputando o governo e o segundo uma cadeira no Senado.
A ligação entre os governos seguintes aparece na trajetória de Ratinho Junior. Antes de vencer sua primeira eleição para governador, em 2018, ele foi secretário de Desenvolvimento Urbano de Beto Richa. Assumiu a pasta em fevereiro de 2013 e voltou a ocupá-la no segundo mandato do governador, depois de se eleger deputado estadual em 2014.
Essa continuidade de integrantes da administração não significou uma candidatura única em 2018. Ratinho Junior disputou o governo contra Cida Borghetti, eleita vice de Richa em 2014 e governadora à época da votação. Assim, os dois candidatos mais votados naquele ano haviam ocupado posições no governo anterior, embora concorressem em chapas diferentes.
De 2010 a 2022, quatro eleições decididas no primeiro turno
Em 2010, Beto Richa recebeu 3.039.774 votos, equivalentes a 52,44% dos válidos. Osmar Dias ficou com 2.645.341 votos, ou 45,63%. A diferença entre os dois foi de 394.433 votos. Paulo Salamuni, do PV, terminou em terceiro, com 81.576 votos e 1,41%; os demais candidatos somaram pouco mais de meio ponto percentual.
Em 2014, Richa foi reeleito com 3.301.322 votos, ou 55,67% dos válidos. Requião, novamente candidato pelo PMDB, recebeu 1.634.316 votos, equivalentes a 27,56%. Gleisi Hoffmann, do PT, ficou em terceiro lugar, com 881.857 votos e 14,87%. Mesmo com duas candidaturas que, juntas, superaram 42% dos votos válidos, a eleição terminou na primeira votação.
Em 2018, Ratinho Junior venceu com 3.210.712 votos, correspondentes a 59,99% dos válidos. Cida Borghetti, do PP, recebeu 831.361 votos, ou 15,53%. João Arruda, do MDB, obteve 705.976 votos e 13,19%, enquanto Dr. Rosinha, do PT, ficou com 463.494 votos, equivalentes a 8,66%.
Em 2022, Ratinho Junior foi reeleito com 4.243.292 votos, ou 69,64% dos válidos. Requião, dessa vez pelo PT, recebeu 1.598.204 votos, equivalentes a 26,23%. Ricardo Gomyde, do PDT, obteve 126.945 votos e 2,08%, enquanto os demais candidatos somaram 124.417 votos, aproximadamente 2,04%.
Nas quatro eleições, o percentual alcançado pelo vencedor no primeiro turno aumentou: de 52,44%, em 2010, para 55,67%, em 2014; depois, para 59,99%, em 2018, e 69,64%, em 2022.