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Em 2022, só 1% votaria no “novo” de novo para presidente do Brasil

Em 2022, só 1% votaria no “novo” de novo para presidente do Brasil

Segundo a última pesquisa XP/Ipespe, a característica mais importante para o próximo presidente do Brasil, nas eleições nacionais de 2022, será a honestidade. Essa foi a resposta dada por 35% das pessoas ouvidas. Apenas 1% defendem que o eleito “represente o novo” de novo – já que essa foi a tônica da narrativa que elegeu Jair Bolsonaro há dois anos. A pesquisa é nacional e foram ouvidas 800 pessoas, de 9 a 11 de março, e tem margem de erro de 3,5% percentuais.

“Ser preocupado com os pobres”, “ser competente” e “conhecer os problemas do país” são as características que aparecem empatadas em segundo lugar, com, respectivamente, 17%, 16% e 12% das respostas. O interessante é que, na véspera da pesquisa, o ministro Fachin anulou as condenações de Lula na Operação Lava Jato, tornando-o elegível novamente.

Apesar do agravamento da saúde pública em razão da pandemia estar na imprensa há vários dias, foi depois da pesquisa que as capitais intensificaram as medidas de lockdown, no final de semana do dia 12 de março para cá. Também não tinha sido divulgada, no UOL, a reportagem de Amanda Rossi,. Flávio Costa, Gabriela Sá Pessoa e Juliana dal Piva com indícios do envolvimento de Jair Bolsonaro e seus filhos num grande esquema de “rachadinhas” nos mandatos parlamentares deles.

Logo, quando a pesquisa XP/Ipespe mostra que apenas 5% votariam em um candidato por ele “ser autêntico e falar o que pensa”, 4% em alguém “experiente” e 4% num presidente “firme nas decisões”, o agravamento da pandemia e as suspeitas de corrupção no clã Bolsonaro não estavam no radar. Se a pergunta for repetida na próxima sondagem, isto poderá ser melhor aferido. Por ora, só temos nossa imaginação.

Tem muito mais dados sobre a conjuntua econômica e o cenário eleitoral de 2020 na pesquisa, mas são aspectos já destacados pela imprensa. Por exemplo, que aumentou a reprovação de Bolsonaro (de 42% para 45%), e que se ele competisse contra Lula, os dois terminariam o primeiro turno tecnicamente empatados (27% a 25%, respectivamente). Basta dar um google.

Vale avisar, contudo, que há no colunismo político quem vincule as pesquisas da XP a desforras do ministro da Economia, Paulo Guedes, contra os ataques de Bolsonaro à condução financeira do país. Tido como um dos alicerces da popularidade do atual presidente entre os financistas e rentistas, pela etiqueta neoliberal, Guedes é constantemente menosprezado pelo chefe. A XP incorporou, em 2019, dois fundos de investimento antes administrados pela Bozano, de Guedes, então com R$ 230 milhões de patrimônio.

Desde 2014 ricocheteando no pavilhão auditivo dos poderosos.

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