De abril a dezembro de 2020, 60% ou mais dos pequenos negócios estabelecidos no Paraná perderam vendas em comparação com o mesmo período do ano anterior. A análise é da Secretaria de Estado da Fazenda (Sefa), em relatório divulgado no início deste ano pelo Governo do Paraná e vale para varejo, atacado, restaurantes e indústria com faturamento mensal abaixo dos R$ 30 mil. Em notícia anterior sobre o mesmo documento, Livre.jor mostrou a queda de 3,4% na arrecadação de ICMS no estado.

Dos quatro, quem mais sofreu com a pandemia foram os restaurantes. No Paraná, 83% deles venderam menos durante a pandemia que no ano anterior. Segundo a Sefa, 40% dos pequenos estabelecimentos perderam mais da metade do seu faturamento, com 14% perdendo mais de 4/5 das vendas. Dos pequenos restaurantes, reduzidos 14% conseguiram prosperar apesar das medidas de distanciamento pessoal. Em miúdos, 9 em 10 perderam dinheiro em 2020, sendo que para cada 1 que prosperou, 4 perderam mais da metade da receita.

Situação semelhante aconteceu no varejo, que é como são chamadas as lojinhas e os mercadinhos de bairro, por exemplo, cujo negócio é vender de tudo, mas em pouca quantidade. Ainda que menos drástica, para cada 1 que prosperou, 2 enfrentaram dificuldades. 62% dos pequenos varejistas, com receita menor que R$ 30 mil por mês, venderam menos em 2020. E 20% faturaram menos da metade obtida no mesmo período do ano anterior.

Nem os pequenos atacadistas e industriais escaparam do redemoinho que dilapidou as finanças dos pequenos negócios, amargando, respectivamente, perda de vendas em 57% e 62% dos seus estabelecimentos. Só que aqui apenas 11% e 17% deles perderam metade ou mais da renda, em comparação com 2019, quando o novo coronavírus não tinha impactado a vida de todos.

Grandes prosperaram

Enquanto os pequenos negócios encolheram, aqueles que tinham renda mensal superior a R$ 1 milhão majoritariamente prosperaram na pandemia. No varejo, os negócios milionários empataram: 49% venderam mais, 43% venderam menos (com impacto menos abrasivo, já que a queda registrada foi de “só” um quarto do faturamento). Agora, entre os super varejistas, que fazem R$ 10 milhões ou mais por mês, apenas 3% perderam mais da metade da renda. Pelo contrário, 61% aumentaram suas vendas.

Grandes atacadistas e industriais seguiram nessa proporção: para cada 1 que enfrentou dificuldades, 2 venderam mais durante a pandemia. Com mais gente se dando bem quanto maior é o negócio que opera, conforme mostra a tabela abaixo. A regra só não valeu para os restaurantes, cujo setor foi duramente impactado pela redução na circulação de pessoas. Aqueles que tem faturamento de R$ 1 milhão sofreram na mesma proporção que os primos pobres, que faturam R$ 30 mil: 80% tiveram queda nas vendas, 20% faturaram melhor.

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