Enquanto mortes violentas caíram 17% desde 2019, mortes decorrentes de ações policiais cresceram 67%; em 2025, elas foram uma em cada quatro mortes violentas no estado

A violência letal caiu no Paraná durante o governo Ratinho Junior (PSD), mas as mortes provocadas pelas forças policiais seguiram na direção contrária. Entre 2019 e 2025, o número de mortes violentas intencionais passou de 2.219 para 1.844, redução de 17%. No mesmo período, as mortes decorrentes de intervenções policiais aumentaram de 288 para 482, alta de 67%.

Com isso, mudou também a composição da violência no estado. No primeiro ano da atual gestão estadual, as ações policiais respondiam por 13% das mortes violentas. Em 2025, essa participação chegou a 26,1% — praticamente o dobro.

Os números são do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, publicação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O indicador de mortes violentas intencionais reúne homicídios dolosos, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes decorrentes de intervenções policiais.

AnoMortes violentasMortes pela políciaParticipação da polícia
20192.21928813,0%
20202.49037715,1%
20212.40441117,1%
20222.59547918,5%
20232.26334115,1%
20242.17040018,4%
20251.84448226,1%

Fonte: Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Quando houve revisão posterior, foram usados os números mais recentes publicados nos Anuários.

Segundo mandato combina menos violência e mais letalidade policial

A diferença fica mais clara na comparação entre os dois mandatos. Como o segundo ainda está incompleto — falta 2026 —, a medida mais adequada é a média anual.

De 2019 a 2022, o Paraná registrou em média 2.427 mortes violentas por ano, das quais 389 decorreram de intervenções policiais. Nos três primeiros anos do segundo mandato, a média geral caiu para 2.092, mas a de mortes provocadas pela polícia subiu para 408.

Indicador2019-20222023-2025*Variação
Mortes violentas por ano2.4272.092-13,8%
Mortes por intervenção policial por ano389408+4,9%
Participação da polícia nas mortes violentas16,0%19,5%+3,5 pontos

*Segundo mandato ainda sem os dados de 2026.

A comparação mostra que a redução da violência letal não foi acompanhada por uma queda semelhante na letalidade policial.

O contraste é ainda mais forte quando se retiram as intervenções policiais da conta. Em 2019, houve 1.931 mortes violentas não provocadas pela polícia. Em 2025, foram 1.362 — redução de 29,5%. No mesmo intervalo, as mortes decorrentes de ações policiais cresceram 67,4%.

Uma em cada quatro mortes violentas

Em 2025, 482 das 1.844 mortes violentas do Paraná decorreram de intervenções policiais. Isso equivale a 26,1% do total, ou aproximadamente uma em cada quatro. No Brasil, essa proporção foi de 16,2% naquele ano. O peso da letalidade policial dentro da violência letal paranaense ficou, portanto, muito acima da média nacional.

A taxa estadual também ficou acima da brasileira: foram 4,1 mortes por intervenção policial para cada 100 mil habitantes, contra 3,1 no país. O Paraná teve a sétima maior taxa entre as Unidades da Federação em 2025.

Fórum usa participação acima de 10% como sinal de alerta

O peso das intervenções policiais no total de mortes violentas é um dos parâmetros usados na literatura citada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública para avaliar a proporcionalidade do uso da força. Ao analisar os dados de 2022, o Anuário menciona como referência estudos segundo os quais uma participação superior a 10% das mortes violentas pode indicar uso abusivo da força. O Paraná permaneceu acima desse patamar em todos os anos da série entre 2019 e 2025.

Outro parâmetro compara quantas pessoas são mortas pelas polícias para cada policial morto de forma violenta. Em 2022, o Paraná registrou 479 mortes decorrentes de intervenções policiais para uma morte violenta de policial. Ao comentar esse resultado, o Fórum apontou uma forte desproporção entre a letalidade e a vitimização policial. Em 2023, foram 341 mortes provocadas pela polícia e duas de policiais, relação de 170,5 para 1; em 2024, 400 contra duas, ou 200 para 1.

Em 2025, a comparação chegou a um limite matemático: 482 pessoas morreram em intervenções policiais, mas nenhum policial civil ou militar da ativa foi vítima de morte violenta no indicador utilizado pelo Anuário. Como o número de policiais mortos foi zero, não é possível calcular uma razão entre os dois grupos. A série mostra, porém, que a letalidade policial atingiu seu maior número desde 2018 justamente em um ano sem registro de vitimização policial violenta. Os suicídios de policiais são contabilizados separadamente e não entram nessa comparação.

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