Seleção reúne 22 veículos e organizações jornalísticas; vencedores serão conhecidos em 10 de dezembro
A Comissão Julgadora do 8º Prêmio Livre.jor de Jornalismo-Mosca escolheu 25 trabalhos para serem os finalistas da categoria Profissional em 2026 . A seleção foi feita entre 108 inscrições, apresentadas por 63 veículos e plataformas de diferentes regiões do país.
As reportagens finalistas investigam gastos e contratos públicos, segurança, violência, meio ambiente, conflitos por terra, urbanismo, educação, tecnologia, saúde e direitos humanos. Há trabalhos baseados em Lei de Acesso à Informação (LAI), cruzamento de bases de dados, processos judiciais, documentos administrativos, licitações e ferramentas de georreferenciamento.
Os vencedores da categoria Profissional serão anunciados em 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, conforme o cronograma do Prêmio Mosca 2026. Serão reconhecidos os três primeiros colocados e menções honrosas, conforme decidir a Comissão Julgadora, formada pelos jornalistas da Livre.jor.
Conheça os 25 finalistas
- MG reduz R$ 400 mi da verba escolar, deixa alunos em risco de incêndio e docentes pedem ajuda — Luisa Marques e Rayllan Oliveira, da Itatiaia. A partir de dados obtidos via LAI, a reportagem investigou a redução de mais de R$ 400 milhões em recursos para manutenção das escolas estaduais de Minas Gerais e as condições encontradas nas unidades.
- Monocultura solar — Luan Matheus Santana, Diógenes de Luna, João Paulo Centelha e Tânia Martins, do Ocorre Diário. O projeto mapeou a expansão de grandes complexos fotovoltaicos no Nordeste e cruzou dados da Aneel, IBGE e MapBiomas para dimensionar a ocupação territorial e seus impactos.
- BR-163 acelera exportações de soja, aumenta emissões de poluentes e aquece esquemas do mercado de carbono — Antônio Laranjeira, do ((o)eco). A investigação acompanhou a cadeia logística da soja na BR-163, relacionando aumento do tráfego, poluição, efeitos sobre a saúde e mecanismos de compensação por créditos de carbono.
- DAE usa só 1% de fundo para mananciais — Raissa Toledo, Marcus Vinicius dos Anjos, Marcelo Risso, Gabriel Sato, Cesar Evaristo, Anderson Camargo e Anthony Jones, da TV TEM Bauru. A reportagem mostrou que, em meio à crise de abastecimento de Bauru, quase R$ 6 milhões permaneciam no fundo destinado à recuperação de mananciais, com apenas uma pequena parcela utilizada.
- Nenhum dos mortos consta em denúncia que baseou a operação na Penha — Isabela Aleixo e Luís Adorno, do UOL. A apuração cruzou a identificação dos mortos em uma megaoperação policial no Rio de Janeiro com a denúncia do Ministério Público que fundamentou a ação.
- Governo Tarcísio beneficia desmatadores e famílias do agro com terras de SP — Juliana Sayuri e Adriana Ferraz, do UOL. Com dados obtidos via LAI, a reportagem examinou os beneficiários da política paulista de regularização de terras devolutas no Pontal do Paranapanema.
- Série sobre a exposição de dados sigilosos de crianças e adolescentes pelo TJ-SP — Cintia Acayaba, do g1/Globo. A investigação revelou que informações de processos que deveriam tramitar sob sigilo, inclusive envolvendo adoção, violência sexual e atos infracionais, podiam ser encontradas em buscas abertas na internet.
- Após 8 anos, jovem do Grajaú é identificado e família aponta negligência — Karine Gomes, da Agência Mural. A reportagem reconstruiu o caso de Samuel Gustavo, desaparecido em 2017 e identificado oito anos depois, e investigou as dificuldades enfrentadas pela família na busca por informações.
- Private island: donos de hotel de “pós-luxo” proíbem pesca em ilha para erguer novo empreendimento — Felipe Sabrina, do The Intercept Brasil. A reportagem investigou restrições impostas a pescadores tradicionais na Ilha do Caju, no Maranhão, em área relacionada à implantação de um empreendimento hoteleiro e a um projeto de carbono.
- O povo contra as Big Food: como setor alimentício impediu regulação de publicidade no país — Ed Wanderley, Guilherme Cavalcanti, João Peres, Rodrigo Oliveira, Thalita Pires, Andrea Rincón, Edier Buitrago, Kennia Velázquez, Armando Talamantes, Thin Lei Win e Emmanuel Freudenthal, da Agência Pública/O Joio e O Trigo. A investigação transnacional acompanhou estratégias judiciais e de lobby da indústria de alimentos contra medidas de regulação da publicidade.
- Festival de Irregularidades — Amanda Audi, Rafael Custódio e Mariama Correia, da Agência Pública. A série analisou milhares de registros de contratos de shows e eventos da Prefeitura de São Paulo para investigar contratações e possíveis irregularidades durante a gestão Ricardo Nunes.
- Série sobre conflitos por terra no Oeste do Paraná — José Pires, do Plural. Com documentos da Polícia Federal, Ministério Público Federal e Justiça, a série acompanha disputas fundiárias e episódios de violência envolvendo comunidades indígenas no Oeste paranaense.
- Brasil tem 336 condenados ou suspeitos de feminicídio procurados pela Justiça — Camila da Silva e Bianca Muniz, do g1. A investigação tratou dados do Banco Nacional de Medidas Penais e Mandados de Prisão para localizar condenados ou suspeitos de feminicídio com ordens de prisão ainda pendentes.
- Série sobre a fábrica de vídeos de inteligência artificial — Luiz Fernando Toledo, da BBC News Brasil. A série investigou o mercado de produção massiva de vídeos por IA e como conteúdos sobre saúde, infância, história e política são convertidos em audiência e receita.
- Quilombolas denunciam fechamento de escolas na Bahia e no Piauí — Jeniffer Mendonça e Bruna Borges, da Repórter Brasil. A reportagem investigou o fechamento de escolas e turmas quilombolas e a ausência de dados públicos capazes de dimensionar o problema nacionalmente.
- Em 4 anos, Prefeitura de São Paulo recebeu R$ 718 mil por publicidade de bets em ônibus — Jeniffer Mendonça e Rodolfo Almeida, do Núcleo. Dados obtidos via LAI permitiram levantar receitas e a presença de anúncios de casas de apostas no sistema municipal de transporte de São Paulo.
- Quando o corpo guarda a violência — Vitória Régia da Silva, Mariana Rosetti, Paola Churchill, Bruna de Lara, Carlos Carneiro, Ana Luísa Ambrosim, Gabriela Costa e Diego Nunes da Rocha, da Gênero e Número. A série de quatro reportagens investigou, com dados e pesquisas, os efeitos de longo prazo da violência doméstica sobre a saúde física e mental das mulheres e as respostas das políticas públicas.
- Tubarões ameaçados viram “comida contaminada” em escolas e hospitais públicos do Brasil — Karla Mendes, Philip Jacobson e Kuang Keng Kuek Ser, da Mongabay. A investigação rastreou licitações de carne vendida como “cação” para instituições públicas, relacionando compras governamentais a espécies de tubarões e à exposição a contaminantes como mercúrio e arsênio.
- Farras: como os shows com dinheiro público conectam artistas, bets, política e agronegócio — Alceu Luís Castilho, Bernardo Fialho, Bruno Bassi, Carolina Bataier, Felipe Fogaça, Vanessa Nicolav e Gaia Lourenço, do De Olho nos Ruralistas. O dossiê cruzou contratações públicas de shows com dados de empresas, prefeituras e outros agentes para mapear relações entre o circuito de eventos, apostas, política e agronegócio.
- Série sobre irregularidades no mercado imobiliário de São Paulo — Priscila Mengue, da Folha de S.Paulo. A série cruzou processos, Diário Oficial, licenças urbanísticas e dados de fiscalização para investigar irregularidades envolvendo obras e empreendimentos imobiliários na capital paulista.
- Duas rajadas e o silêncio: PM mata jovem negro no Morro da Caixa do Continente e esconde o homicídio da população — Rodrigo Barbosa, do Desterro. A partir de peças do inquérito, a reportagem reconstituiu a morte de Matheus Santos Bonifácio, de 24 anos, atingido por seis tiros de policiais militares em Florianópolis.
- Penitenciária em SP exige Pix para permitir “saidinha” e mantém presos do semiaberto trancados — Paulo Batistella, da Ponte. Com relatos, comprovantes de pagamento e documentos, a reportagem revelou a exigência de depósitos de familiares de presos da Penitenciária de Taiúva para viabilizar saídas temporárias.
- Falha de segurança permite acesso indevido a 58 mil câmeras do Smart Sampa — Artur Rodrigues, do UOL. A investigação testou uma vulnerabilidade no sistema de videomonitoramento paulistano que expunha credenciais e possibilitava acesso indevido às câmeras integradas ao programa.
- Dossiê Dispersão da Cracolândia — Artur Rodrigues, Milena Vogado e Renan Porto, do Metrópoles. Após seis meses de apuração, o trabalho confrontou o discurso sobre o “fim” da Cracolândia com dados sobre dispersão dos usuários, violência policial, mortes e internações.
- Inédito: o mapa das 110 áreas excluídas pelos vereadores no Plano Diretor — Ludmyla Barros e Ayuri Reis, do O POVO+. A reportagem transformou coordenadas geográficas de emendas ao Plano Diretor de Fortaleza em mapas para identificar 110 áreas sociais e ambientais que tiveram sua proteção reduzida.
Resultado em 10 de dezembro
Os 25 trabalhos finalistas representam cerca de 23% das 109 inscrições recebidas na categoria Profissional. O primeiro colocado receberá R$ 1.250 e certificado; segundo e terceiro lugares também receberão certificados.
O resultado das categorias Profissional e Universitária será divulgado em 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos. O vencedor do Troféu Rastilho será conhecido antes, em 1º de dezembro.