Mapa da Violência contra a Mulher, QuitérIA, Mamute Político e Emendômetro disputam categoria dedicada a projetos que libertam dados de interesse públicos

Quatro iniciativas que transformam dados públicos em ferramentas de informação e fiscalização social estão na final do Troféu Rastilho do Prêmio Livre.jor de Jornalismo-Mosca 2026. São elas: Mapa da Violência contra a Mulher no Estado de São Paulo, QuitérIA, Mamute Político e Emendômetro. O grand prix de desaprisionamento de dados teve sete inscritos neste ano.

O Troféu Rastilho foi criado pela Agência Livre.jor para divulgar iniciativas que ajudam a “desaprisionar” informações públicas — organizando bases, criando ferramentas de consulta, monitorando o poder público ou tornando dados complexos mais acessíveis para jornalistas e para a sociedade. E para premiá-las, em sinal de agradedimento em nome da classe jornalística, obviamente.

Os finalistas são anunciados nesta segunda-feira (2), data escolhida por coincidir com o Dia Internacional pelo Fim da Impunidade em Crimes contra Jornalistas. O resultado do Troféu Rastilho será divulgado em 1º de dezembro de 2026, conforme o cronograma oficial do prêmio. O primeiro colocado receberá R$ 750 e certificado.

Mapa transforma registros de violência em leitura territorial

O Mapa da Violência contra a Mulher no Estado de São Paulo, de Iago Yoshimi Antunes Seo, organiza dados sobre violência doméstica, feminicídios e tentativas de feminicídio e permite visualizar territorialmente a distribuição das ocorrências.

A ferramenta reúne um mapa de calor com consulta por bairros e cidades, filtros por tipo de violência e informações sobre o perfil e a evolução das ocorrências. O projeto trabalhou com mais de 270 mil registros para transformar dados públicos em uma visualização que pode ser usada por jornalistas, pesquisadores e pela sociedade.

QuitérIA monitora projetos de lei sobre gênero

A QuitérIA, a IA da plataforma Elas no Congresso, é finalista com a equipe do Instituto AzMina, sob coordenação de Maria Isis Santos. A ferramenta usa inteligência artificial para monitorar e analisar proposições legislativas relacionadas aos direitos de meninas, mulheres e pessoas LGBTQIAPN+.

Os dados são coletados automaticamente das APIs da Câmara dos Deputados e do Senado e passam por classificação temática e avaliação de impacto, combinando automação com validação humana.

A proposta é reduzir a distância entre o grande volume de informações produzido diariamente pelo Congresso Nacional e quem precisa acompanhar essas decisões, como jornalistas, pesquisadores e organizações da sociedade civil.

Mamute combate a “amnésia eleitoral”

Criado por Maurício Ferro e equipe, o Mamute Político reúne informações públicas para facilitar o acompanhamento da atuação de deputados federais e senadores.

A plataforma permite consultar, em um único ambiente, votações, projetos apresentados, discursos, emendas parlamentares, gastos com cota parlamentar, histórico eleitoral e evolução patrimonial, entre outros registros. Uma ferramenta de inteligência artificial também permite fazer perguntas sobre a atuação dos congressistas a partir da base de dados oficiais.

A ideia é dar ao eleitor uma “memória de elefante” contra a chamada amnésia eleitoral, ao manter acessível o histórico dos representantes também durante o intervalo entre uma eleição e outra.

Emendômetro segue o caminho do dinheiro

O quarto finalista é o Emendômetro, desenvolvido por Sílvia Lisboa, Francisco Amorim, Thiago Müller e Pedro Pereira, da Matinal Jornalismo.

A ferramenta reúne e organiza informações sobre emendas parlamentares destinadas ao Rio Grande do Sul, permitindo pesquisar para onde foram os recursos, quando foram enviados, sua finalidade e os parlamentares responsáveis.

Para construir a base, o projeto cruza informações públicas que originalmente estão espalhadas por diferentes sistemas oficiais. O resultado pode ser consultado pelo público e também serve de ponto de partida para investigações jornalísticas sobre o uso das emendas parlamentares.

Resultado sai em dezembro

O Troféu Rastilho integra o Prêmio Mosca desde suas primeiras edições como uma forma de reconhecer não apenas a reportagem pronta, mas também quem constrói instrumentos para que novas reportagens possam existir.

O resultado da categoria será divulgado em 1º de dezembro, data que lembra a circulação da última edição do I.F. Stone’s Weekly, em 1971. O periódico independente de Izzy Stone é uma das referências que inspiram a proposta do jornalismo-mosca. Os vencedores das categorias Profissional e Estudante serão conhecidos em 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos.

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