Pro ex-juiz e futuro governador do Paraná, Sérgio Moro, a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para a Presidência do Brasil não é mau negócio. Ele teria quatro anos para reavivar a “rivalidade” que intoxicou o país durante a Operação Lava Jato, ressuscitando suas chances de disputar o poder máximo em Brasília.
Quer Moro presidente do Brasil? Talvez eleger Lula seja o único jeito.
Parece discurso de comunista infiltrado, mas a matemática fria do cálculo político não mente. No melhor dos cenários, que é aquele em que o Bolsonarismo respeita a institucionalidade (em vez de apostar em outro golpe de Estado), o ciclo da direita será longo, beirando 20 anos de hegemonia, e exclui o político paranaense.
No cenário “tranquilo”, Flávio preside o Brasil por 8 anos e é sucedido por Tarcísio de Freitas, mais 8 anos. No mais provável, ocupa a cadeira por 4 e manobra para levar o pai, Jair, anistiado, ao Palácio do Alvorada, onde ele ficaria por 8, com Flávio voltando ao cargo depois por mais 8. Na hipótese do Flávio ir mal, Tarcísio entra antes em campo, substitui o Bolsonarismo, e fica 8.
Moro não entra em nenhum desses cenários, porque é um outsider no Bolsonarismo raiz. O ex-juiz foi apenas um dominó no jogo eleitoral de Flávio Bolsonaro,um “inocente útil” para desestabilizar as pretensões nacionais de Ratinho Júnior. Peça jogada não volta pra mão, vai pra caixa quando acaba a partida. O único cenário em que o maringaense pode ganhar autonomia é sendo oposição a Lula reeleito.
No PL do Paraná, quem manda é Filipe Barros, não o ex-juiz. Foram os candidatos de Barros que lideraram as intenções de voto para o Congresso, Moro tem só sua conje. O partido Novo está saturado de políticos jovens e ambiciosos, que não vão esperar Deltan Dallagnol esfriar, quando a votação dele para o Senado for anulada. O ex-juiz e o ex-promotor são terrivelmente próximos, mas, convenhamos, disputam a mesma raia política. Farinha pouca, meu pirão primeiro.
“Brasília vai estrangular o Paraná, se Lula for eleito e Moro for governador!”. Não tem sido a regra dos governos petistas, mas mesmo que isso acontecesse, Ratinho Júnior mandou para a Assembleia Legislativa um Orçamento 2027 com R$ 28 bilhões de renúncia fiscal – o maior valor nominal da série histórica analisada pela Livre.jor desde 2019.
Essa renúncia fiscal projetada equivale a aproximadamente um terço da receita total prevista. Mais que suficiente para qualquer gestor determinado a vencer.
Lógico que Moro podia ter feito estridente oposição nacional a Lula do Senado nos últimos quatro anos, com muito mais legitimidade, seguindo os passos de Alvaro Dias – mas isso não aconteceu. Fazer esse tipo de política a partir do Paraná ia exigir do ex-juiz um esforço que ele talvez não queira. Fato é que oportunidades não passam encilhadas três, quatro vezes em uma vida. Desperdiçá-las pune especialmente os políticos.
A sobrevida política de Sérgio Moro depende de Lula. Caso contrário, corre o risco de definhar sob o olho gordo da extrema-direita. Ou ele acha que o Bolsonarismo vai precisar dele de novo em 2030, que não vão lançar um Filipe Barros ao governo do Paraná? Cairá o ex-juiz na esparrela do “vamos indicar pro STF” mais uma vez?
A conferir.